Sim, é uma página de perguntas. Mas podia ser uma conversa entre amigas. Perguntas e afirmações reais, respostas sinceras.
Posso chamar isso de FAQ?
Você também sente que está sempre tentando provar alguma coisa?
Sim. Sempre me cobrei demais, até perceber que ninguém estava prestando tanta atenção assim. Depois dos 40, eu comecei a viver bem mais pra mim — e isso foi revolucionário pra quem passou a vida sendo boazinha e exausta.
É possível ser profunda e leve ao mesmo tempo?
Se não for, eu não existo. É mais ou menos assim: você ri chorando, se arruma deprimida e sai certa de que vai ter um dia incrível (e tem), escreve anotações de crônica irônica no meio do cinema enquanto assiste o drama do ano. A mulher de 40 é esse equilíbrio entre saber lidar com caos e saber ligar o foda-se. 😎
É normal se sentir meio ET nesse tempo?
Completamente. Mas você não está fora do planeta. Você só tá fora da hype — e isso, hoje em dia, é sinal de saúde mental. Continue alienígena. 👽 Deixe que o mundo lute pra te entender. Não parece, mas o que está mesmo na moda é não estar na moda.
Tem jeito de envelhecer com leveza?
Tem. Mas exige aceitar que leveza, às vezes, é dizer “não”, sair do grupo da escola e vestir moletom em jantar caro. Leveza é quando o desconforto dos outros para de pesar em você.
O que muda ou incomoda mais quando chega os 40: corpo ou visão de mundo?
O corpo muda, claro. A gente até tenta negociar com a balança: academia, dieta, estética ou só deixar pra lá e se aceitar com carinho. Funciona (quase) sempre. Mas quando a visão de mundo muda (e, sabemos, não muda pra todos) o estrago é maior. É caótico. Porque tudo muda junto: as prioridades, as relações, as motivações. Inclusive a forma como olhamos pro nosso próprio corpo. Tem terapia que ajuda, tem leitura que clareia, tem escrita que alivia — mas, no começo, parece tsunami. Nada fica no mesmo lugar. E talvez seja essa a graça: reconstruir tudo com mais intenção. E menos importância pro que vão pensar.
A maturidade te fez mesmo mais egoísta?
Não. Me fez menos palhaça e passaram a achar que eu estava mais egoísta. Teve um tempo que até eu mesma achei isso. Antes eu sorria pra tudo, servia e ainda pedia desculpa. Agora eu só sirvo quem realmente merece — e ainda negocio limites.
Como você lida com essa necessidade de ser feliz o tempo todo?
Com ironia. Porque felicidade é momento que nos ensina o que tem valor pra gente. A vida de verdade tem infinitos dias ordinários em que ter bom-humor facilita bem. 😙
Não me reconheço mais no espelho. Isso passa?
Depende. Se for por fora, tem jeito Passa. A pergunta que devolvo é se você se reconhece por dentro. Está aí a grande questão. O resto é maquiagem, luz boa e um pouco de autoengano estético. 😘
Você escreve com ironia ou com dor?
Escrevo sem racionalizar e quase sempre sobre o que torna qualquer tipo de dor mais leve. Ironizar a dor funciona, sim. Mas sei que tem feridas que precisam arder, cutucar, incomodar. É nesses lugares que a escrita encontra o que ressoa, e não só o que parece bonito.