top of page
Buscar

Antes de Passar o Cartão

  • Foto do escritor: Rejayne Nardy
    Rejayne Nardy
  • 19 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Um lembrete carinhoso sobre o que realmente vale a pena dar (e receber) neste Natal.

Todo ano é a mesma pergunta: “E aí, o que você quer de Natal?” Quase todo mundo responde a mesma coisa: “Ah, não precisa…” ou “Qualquer presente eu vou gostar…” Mas este ano, pensando bem, quero fazer exigências. E talvez você também queira.

Não quero o celular da vez. Quero uma caminhada sem destino — daquelas em que a gente anda enquanto fala da vida, do ano que passou meio atravessado, das lições que vieram empacotadas em dias difíceis, dos medos que a gente venceu mesmo achando que faltou mais coragem. Me chama pra andar. Sem pressa. Sem fone.

Não quero roupa nova. Quero ficar de pijama. Ver filme bobo, com final previsível, rindo antes da piada chegar. Quero pipoca com manteiga, refrigerante sem gás, coberta dividida e o calor de quem não precisa performar nada pra ser amado.

Não me dá perfume importado. Me escreve um bilhete (com sua letra feia) me dizendo que lembrou de mim na fila do supermercado enquanto passava as cerejas. Ou contando que viu meu pudim com queijo preferido e sorriu sozinho no corredor dos frios.

Não me manda um pix. Me manda suas figurinhas favoritas de 2025. Aquela do cachorro assustado. A da risada gostosa ou a do macaco pensante que você só manda quando quer contar fofoca nova. Me manda junto sua selfie preferida — aquela em que você não postou pra não ser julgada, mas se achou bonita sem motivo. Quero salvar aqui. Não na galeria. No coração mesmo.

Não compre pra mim um presente da minha loja preferida. Me manda sua lista de filmes que salvaram seu ano. Ou sua playlist nova que entrega dopamina enquanto dirige pro trabalho. Me manda também sua dica de ouro pra sobreviver ao climatério e sua teoria pra entender a adolescência dos filhos sem enlouquecer.


Adoraria receber seus planos de viagem onde caiba mais um


Não me dá uma cesta cheia de coisas que vencem em março. Me dá um abraço que dure até fevereiro. Ou aquele silêncio confortável de uma noite chuvosa. Talvez seja melhor uma tarde besta, mas só nossa.


A verdade é que parece que estamos todos cansados dos embrulhos perfeitos com os mesmos presentes dentro. Quem sabe, nesse Natal, a gente não surpreenda ao oferecer um pouco daquilo que mais precisa nos outros dias do ano. Daquilo que não custa grana, não se vende em toda esquina e nem se entrega em 24h.

Acho que concordamos que o que mais queremos, quando o mínimo que garante a dignidade humana está atendido, é o que não dá pra comprar e nem dá pra compartilhar com o mundo, só com quem importa.

Em movimentos isolados, pequenos, mas crescentes, já estamos implorando por coisas simples retornando ao nosso cotidiano, coisas que cabem entre poucas pessoas e não precisam ser ostentadas ou falseadas pra impressionar. Queremos conversas profundas. Memória quente. Palavra que conforta. Aquela sensação de “aqui tá bom”, mesmo sem Wi‑Fi.


Então, se quiser me dar um presente neste Natal, me dá um pouco mais de você. Mas não o que o mundo vê — me dá o que é só meu. Me dá o que, sobre nós, mora no seu aprivado. O que não vira feed. O que ninguém mais recebe.


É que, quando é assim… não dá pra trocar. Nem esquecer. Nem querer comparar.


presente de Natal

 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page