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Manual Prático para Não se Achar Demais

  • Foto do escritor: Rejayne Nardy
    Rejayne Nardy
  • 9 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de abr.

(e Continuar Sendo Subestimada)



foto de selfie da autora

Comece pelo habitual: quando fizer algo incrível, finja que foi sorte. Diga: “imagina, foi só um projetinho.” Enquanto isso, homens chamarão de “case de sucesso” o PowerPoint apresentado na reunião semanal de terça de manhã.


Nunca poste uma selfie em que esteja se achando bonita.

Se for casada, vão achar que o casamento acabou. Se for solteira, que está caçando. Se for mãe, que surtou. Se for tudo isso junto, parabéns! Você já é a principal pauta no grupo do condomínio.

Guarde suas vitórias na gaveta invisível da modéstia. Não vá postar nada. Vai que alguém ache que você está “se promovendo”. Homem faz um curso de dois dias e já é “inspirador”. Mulher com pós e doutorado é “carente de validação” ou “está querendo mudar de emprego”.


Na dúvida, se anule. Não manifeste suas ideias e opiniões em público. Tudo seguirá como sempre: o algoritmo não liga, e os julgadores de plantão... Ah, esses sempre arrumarão alguém pra julgar.


A síndrome da impostora é uma condição sorrateira em mim, nas minhas amigas, nas minhas colegas de trabalho... Não é exclusiva das mulheres, mas sem dúvida somos mais suscetíveis por motivos (sabemos bem) históricos, sociais e culturais. Fomos socializadas para evitar parecer arrogantes, ambiciosas ou “mandonas”. E disso, muito já se fala por aí. Mas o que pouco se conversa é como isso toma conta da nossa confiança e transforma o simples em dilema. Mantém a gente comportada, calada, autocensurada. Ninguém precisa nos diminuir. A gente faz isso por conta própria. Com perfeição.


Mas e se, só por curiosidade, a gente parasse de pedir desculpa por ser boa? E se, no lugar da modéstia automática, viesse um “sim, eu mereci”? E se postar uma selfie fosse só… postar uma selfie. Sem manual de intenções, sem “biscoitagem”, sem legenda defensiva, sem culpa?


E se deixássemos de ser: a mulher promovida que acha que foi sorte, a profissional que não compartilha seus projetos com medo de parecer arrogante, ou a mãe que sente culpa por ter ambições?


E se, de repente, admitíssemos que o mundo segue cheio de gente mediana sendo aplaudida… simplesmente porque as pessoas excepcionais ainda estão com medo de se mostrar?


A verdade é simples: não falta talento. Falta permissão.

Permissão pra ocupar, pra brilhar, pra se achar sem pedir licença, sem dar explicação.

Porque mulher que se acha demais é só uma mulher que parou de se esconder e que, finalmente, se enxergou.

 


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